A Origem: Igor Konovaloff

Por: Daniel Alejandro Marolla
Edição: Luiz Fernando Moura e Castro

As publicações que veremos na seção Espírito BHR, não são simplesmente reportagens. Tentaremos com estas reviver e manter viva a curta e, mesmo assim, vasta história do nosso Clube. Particularmente acredito que para manter uma identidade, temos que valorizar nossos jogadores pioneiros e nossos modelos. Para começar a iluminar este canto oculto do nosso clube, acredito que ninguém mais acertado que nosso mentor, nosso eterno presidente, nosso Igor Konovaloff.

À esquerda Alfredo Sorrini (Frodo) e à direita Igor Konovaloff

O Urso Siberiano é um homem desses que parecem casca grossa, durão, forte, e com o dom de liderar. Se impõe com sua atitude e com sua facilidade de palavras, claro e conciso em seus comandos. Foi o primeiro presidente e sócio fundador do Belo Horizonte Rugby… e acreditem, lá no começo, até hoje não compreendo como ele conseguia camisas, shorts, lugar para treinar, etc. Era tudo a pulmão, na raça, ninguém nos dava nada. Quem daria algo para um bando de loucos jogando um “futebol americano” sem proteção? (assim definido pelos leigos que passavam pela Barragem de Santa Lúcia).

Embora sua humildade não o deixe reconhecer, ele foi o fundador que fez acontecer, não porque os outros não tenham feito, todos foram importantes nesta história, mas foi ele que montou no cavalo selvagem e o domou, o colocou no seu lugar, sob seu comando, e começou a caminhar com ele, com um rumo que todo rugbier conhece… sempre para frente. Para aqueles que não têm o prazer de conhecê-lo, ou para os que só conhecem seu perfil durão, venho com esta matéria lhes apresentar um homem diferente, sensível, aquele que poucos conhecem de verdade. O nosso eterno presidente…

 

Com quantos anos você começou a jogar Rugby?

Comecei a jogar rugby em 1988 com 18 anos, junto com Guedes (Renato Guedes Pinto), Helim (Hélio Teixeira de Carvalho Neto), Tico e Teco (Paulo e Pedro Vilela) e outros que são até hoje meus amigos e que guardo comigo no coração. São irmãos de rugby, ou seja, sempre confiei e sempre eles corresponderam tanto dentro quanto fora de campo. Falo destes que são aqueles com quem participei primeiro no rugby, mas são tão importantes pra mim quanto Frodo (Alfredo Sorrini), François (François Marie Artiguenave), Gordinho (Bruno José Verçosa), Jorgito (Jorge Gabriel Imparato), Cabezón (Daniel Alejandro Marolla), Tico e Teco (Paulo e Pedro Campos Vilela), Raphael Valentini, Igão Micha (Igor Dominick Michalick), Kabelêra (Alessandro Augusto Travassos), Porco (Daniel de Paula Maia), Juan (Juan Jeronimo Carey), Sebá (Sebastian Araujo), Pancho (Santiago Nicolás Simon), Jaú (Virgílio Franceschi Neto), Celani (Jairo Siqueira Celani e Silva), Marisco (Leonardo Hermont Murta), Aladim (Alfio Conti), Acerola (Leandro Luis Jerônimo), Mansur (Bruno Lacerda Mansur), Monkey (Paulo Kneip), Schettino (Guilherme), Bidril (Pedro Henrique Diniz Becker), Apu (Gaurav Shah), Beré (Fillipe Gibran Marques de Souza), Trator (Arthur Barrosc Pitchon), Zacarias (Vitor Voga e Silva) e a molecada nova, e não vou falar todos porque vai esgotar a quantidade de bytes que este site suporta.

Em quais times de Rugby você já jogou?

Joguei sempre com muito orgulho pelo UFV Rugby, Varginha e BHR (Quando criamos o time e mesmo antes, com guerreiros como Helim, Tico e Teco, São Jorge (Gustavo Bonfim), Guedes e Betão (Roberto Piris) com os quais fui jogar o torneio “Cidade de São Paulo” de Sevens.

Como nasceu o BHRugby?

O BH Rugby nasceu, e lhe garanto que apenas eu e o Helim temos autoridade pra falar isto, no alto de um morro, em Almenara – Minas Gerais, quando o Mem (Hélio Teixeira de Carvalho Neto) e eu, resolvemos que criaríamos um time de rugby em BH após uma escalada a um morro de 732 metros (medidos pelo GPS do Mem) e o Helim disse que aquilo era igual a um Scrum. A gente já estava jogando pelo Varginha, o Helim, o Rambão (Paulo Enrique ), o Francês (Jean Philippe Butruille) e eu. Daí surgiu o BH Rugby. Entrei em contato com os Tico e Teco e com Horácio Aguirre “o Batatinha” (outro irmão do Rugby) e ele enviou e-mails de pessoas de BH que se interessavam pelo Rugby. Nestes e-mails, entrei em contato com François “el loko” Artiguenave, Marisco, Marisca (Luiz Cláudio Martins), Aladim, Raphael Valentini e outros. Depois divulgamos através de cartazes e apareceu também Manoel Schiafino “o Manolo”. Este foi o inicio. Considere os fundadores (que são inclusive os que aparecem no primeiro estatuto), Helim, Cesão (Cezar Barbosa), Tico e Teco, François, o valoroso Raph (Raphael Valentini), o grande Manolo, com qume tive várias discussões, mas considero um homem de rugby e ele tem o meu total respeito. Hoje está trabalhando no time do Espírito Santo, e eu.

Qual é a anedota mais engraçada que você lembra no BHR?

Acho que a anedota mais engraçada do BH, e que foi contada por vários anos, é a do Piro Piro (Rubem Santos Pinto de Souza) e o jacaré em baixo da cama, depois de uma noitada regada a álcool no Rio de Janeiro, o meu irmão “Piro” teve esta visão… Irmão, aproveito pra manifestar a minha total alegria em vê-lo novamente engajado no clube e mandando, como sempre, o Mansur tomar no… (risos)

O que representa o BH Rugby na sua vida?

O BH representa pra mim todos os bons valores que existem na vida e que tantos não têm o privilégio de saber que existem. Como você pode acreditar na amizade sem ter amigos? Como pode saber o que é hombridade se vive no meio de oportunistas? Como pode saber o que é caráter e honra se só noticiam que no país existem bandidos? Como pode jogar rugby, se todos te dizem que o Brasil não é um país sério e o rugby nunca “pegará” aqui? Isto é pra mim o BH Rugby. A prova que amigos existem, que se pode ter honra, hombridade e caráter, quando tudo que se prega é o oposto. Para mim isto é o rugby e espero que o legado que foi deixado no BHR se propague por gerações com a mesma mentalidade. Que os presidentes que virão tenham em mente que não são perfeitos, que errarão, mas que é um dever deles propagar a mentalidade do Rugby para os meninos, para que eles sejam homens melhores. Assim o fizeram Schettino, Porco e Kabelêra, que me sucederam, e fizeram um BHR ainda mais sólido e forte do que foi na minha gestão (Botei os presidentes, mas não posso nunca deixar de citar pelo menos quatro nomes: Jorgito, Cabezón, Micha e Tchel (Rachel Sanches Ratton Mascarenhas), que se não fossem eles este time poderia não ser o que é hoje.

Como você define “Espirito do Rugby”?

Acho que o espírito do rugby já foi dito anteriormente. O espírito do rugby é o próprio espírito do ser humano. O rugby só nos faz crescer e ver como podemos ser melhores do que somos. Na minha opinião, o espírito do rugby é o ápice da nossa alma, se conseguirmos sermos honestos sem sermos tolos, termos respeito pelo adversário sem perdemos a competitividade, acatarmos a decisão do árbitro sem baixarmos a cabeça, sentir dor sem perder a coragem, fazer um try e dividir a emoção com toda a equipe, e beber no terceiro tempo ao lado da pessoa que te impedia de conquistar seus objetivos (tries), nós conseguimos entender um pouco do que é o Espírito do Rugby.

Que é o que mais saudade te dá do nosso clube?

Acho que a três mil quilômetros de distância não precisa nem falar o que mais dá saudade. Sem nenhum medo de errar, OS AMIGOS. Estou respondendo com lágrima nos olhos. Amo minha família, mas amo também meus amigos. Hoje estou em Fortaleza e não tenho nenhuma vergonha de falar aqui, a quem quiser ouvir: O Ceará é demais com suas praias, comidas, etc. Se pudesse trazer o BH Rugby com meus amigos prá cá, eu estaria totalmente realizado.

Qual seria o conselho que você daria as crianças que hoje começam a jogar no clube que o Sr. ajudou a criar?

Antes de dar um conselho a molecada que está começando, gostaria de falar sobre o clube. Nós fomos os fundadores. Como o Sr. bem sabe, a fundação em uma obra é importante, são os alicerces da obra. Se a fundação não é boa, o prédio pode tombar. Todavia, é só o princípio. O prédio também tomba se o material for vagabundo, se a mão de obra não for qualificada, etc. Por isso não fico a vontade quando falam no “clube que eu ajudei a criar”. O que seria deste clube se o Cabezón não tivesse a idéia e ter colocado em prática a criação do juvenil? O que seria do clube se o Igão (Michalick) não tivesse assumido a tesouraria com muita competência e conseguido fundos para criação da nova sede, disputa do brasileiro, etc.? O que seria do clube se o Jorgito (Imparato) não tivesse tomado a frente dos treinamentos até hoje? O que seria do clube se não tivesse os jogadores para disputar as partidas, torneios, e elevar o nome da equipe ao patamar que se encontra hoje? Na verdade, todos ajudamos a criar este clube. Então meu conselho para os meninos é que: Se você optou por jogar Rugby, você é um privilegiado e extraia de cada participante deste sonho o melhor que ele possa te passar, tanto dentro como fora de campo.

Nome completo: Igor Konovaloff

Apelido no clube: Igão – o Urso Siberiano

Nacionalidade: Brasileiro

Cidade natal: Belo Horizonte – MG

Data de Nascimento: 12 de Maio de 1970

Clubes nos quais jogou: FV Rugby (Viçosa) Varginha Rugby e Belo Horizonte Rugby Clube

Sei que mais de um que convive ou conviveu com ele, deve ter os olhos molhados, e os mais sensíveis, que nem eu, com tímidas gotas rolando pelo rosto… Esta pedra fundamental do nosso clube, mostra o porque do “Espírito BHR”. Agora todos poderão entender melhor o porque dos sentimentos, e porque o culto à amizade é o principal legado do nossa instituição. Rugby é um esporte diferenciado meus caros, não por ser o mais completo, o mais difícil ou o mais famoso, este esporte é diferenciado porque prioriza a amizade e o carinho, sem se importar em bandeiras, cores, raças, religião, etc… “O importante é amizade, isso sim é o que fica… quem compreendeu o espírito, amigo por toda a vida…”

O Sr. Konovaloff, entre suas idéias é bem claro numa coisa: Eles colocaram o BH Rugby no mundo, e nós teremos que continuar escrevendo sua história.

Depoimentos:

Sertões Rugby

O Igor Konovaloff, ou simplesmente Igão, é com certeza muito importante para o Sertões ser o que é hoje, por termos jogadores que demonstram caráter, honra e raça. Nós do Sertões Rugby Clube nos orgulhamos muito de termos um treinador que já jogou na primeira divisão do campeonato brasileiro, já jogou jogos internacionais e já disputou torneios por todo Brasil e que pode nos ensinar toda essa experiência. Nós do Sertões agradecemos por termos um treinador que não deixa o time desanimar e quando vê todo mundo com “cara de bundão”, vai lá e “senta o cagaço” e não se conforma e nem permite que aceitemos uma derrota de cabeça baixa, pois por mais monstruoso que seja o placar o importante é se esgotar, dar tudo de si do inicio ao final do jogo (treino).
Um treinador que têm não só o espírito do rugby em suas atitudes, mas também a inteligência de perceber as falhas de cada um e aprimorar seus treinos para formar não apenas um bom time, mas um time de BONS HOMENS. O Sertões com total certeza tem o maior orgulho de ter o Igão como nosso “coach”. É um tesão poder jogar ao lado de um cara que jogou na primeira linha do BH Rugby, entrar na partida e dar ânimo a todos que estão em campo suando a camisa, lutando e buscando forças pra tentar reverter as situações adversas do jogo.

No dia em que o Sertões estava voltando da 1ª Etapa do Nordestão de Rugby de 2010 em Recife, já dentro do Ônibus, todo mundo muito cansado e feliz, eu olhei pro Igão e o vi meio cabisbaixo e aí perguntei o que ele havia achado do jogo, e ele me respondeu: “Cara achei bom. O Sertões tinha chance de ter ganhado a partida. Só ‘tô’ meio assim porque não tackliei os 15 do outro time”, esse pensamento me chamou atenção e percebi que é essa mentalidade que faz um forward ser um forward e que isso falta a muita gente, que tackleia um e já sai feliz e satisfeito.

O Igão é um exemplo pra todos nós que compomos aquele time, e que queremos cada vez mais aprender a jogar rugby. Somos gratos por todos os ensinamentos e aprendizados do mestre Igão!

Nicolas Lima – Sertões Rugby Clube