Experimentando o rugby feminino na terra dos Pumas

Por Renatinha Polastri

Quando saiu a confirmação da vaga na Universidade de Buenos Aires, uma das minhas grandes preocupações era onde iria treinar aqui. Daí do Brasil mesmo, as meninas do BH já me colocaram em contato com a Conchita e foi ela quem me levou ao time: Ñandú – centro naval.

O clube (sede do Centro Naval) é enorme, com vários campos (só de rugby) todos com a grama verdinha, espaço separado para o 3º tempo e até uma mini academia! Resumo, uma infra estrutura incrível!

Os primeiros treinos foram difíceis, percebi que era a única novata e que o nível do time era bem mais alto que o meu! Por um lado, era algo desafiador, mas não posso negar que que minha confiança deu uma baqueada! Com o tempo fui me adaptando (cheguei a jogar de ponta, mas logo voltei a ser hooker) e fui aprendendo o estilo de jogar do time. Tive um apoio enorme do treinador, Carlos Pastori, que me explicava termos e os nomes das jogadas em espanhol.

Vídeo: Mujeres rugbiers, un tackle a los prejuicios

Várias dificuldades do rugby feminino também são vistas por aqui. É um esporte basicamente masculino e poucos clubes em Buenos Aires (apenas oito) tem a modalidade feminina. Em 2011, foi a primeira vez que a URBA (Unión de Rugby de Buenos Aires) promoveu o torneio feminino regional em que os dois primeiros colocados participariam do torneio nacional.

Foram sete etapas, jogavamos um domingo sim, um domingo não. Ao final quase 4 meses de competição, saímos como a equipe vencedora. Foi uma grande honra participar desse momento aqui. Era visível o quanto essas jogadoras que treinam há anos e anos esperaram por esse torneio e pelo reconhecimento. Na maioria dos jogos contribui levando água, mas ao menos em um dos jogos de cada rodada, estava dentro de campo.

Hoje não estou mais treinando no time, mas, com certeza, todos esses meses treinando no frio contribuíram muito e acredito que hoje já enxergo o jogo mais estrategicamente. Fiz boas amizades e espero voltar a treinar o quanto antes, de preferência no BH porque descobri que esse time tem algo muito especial e que realmente vive a cada treino o tão falado espírito do rugby.

 

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EM by Alessandro Travassos | BH Rugby

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