Relatos sobre o amistoso Feminino x Cadeirantes

Embora esteja no BHR já há quase um ano, ainda não tinha tido contato com o quad. Quando surgiu a proposta do amistoso, fiquei muito animada. Seria uma oportunidade excelente pra conhecer o esporte. Não sabia o que esperar e, a princípio, fiquei bastante tímida. Nunca sequer tinha me sentado em uma cadeira de rodas, não sabia controlá-la e fiquei só pensando no mico que eu pagaria na frente dos times. No entanto, quando entrei em quadra, não queria mais sair. Não só eu: se fosse pelo time feminino, haveria um amistoso desses todo mês. Por fim, até o Tristeza (Felipe Batista), que só tinha ido assistir, acabou participando. Depois de levar uma lavada – e eu tenho certeza de que o time de quad segurou as pontas pra nós não sofrermos uma derrota maior -, o jogo terminou, deixando todas nós querendo mais. Teríamos jogado por mais quatro horas, se pudéssemos. Saí de lá apaixonada pelo esporte. Lamento apenas a pouca visibilidade do esporte no país. Parabéns aos guerreiros do quad! Espero que num futuro próximo tenham o reconhecimento que merecem.

Por Thais Lombardi Scavazzini

 

 

Talvez tenha sido o treino mais divertido nesse meu pouco tempo de Rugby. Nossa meta como time era de simplesmente não tomar gol, era uma meta audaciosa mas que se provou ilusória. Sim, subestimamos a meninas e reconhecemos nosso erro, mas pagamos sofrendo 10 gols de quem nunca tinha sentado numa cadeirade rodas. Nossa queda do cavalo começou logo no inicio do jogo, quando na primeira vez em que elas conseguiram atravessar a metade da quadra, trocaram cerca de 10 passes com total facilidade. Esse foi o nosso erro, esquecemos que elas jogam Rugby e o passe é muito importante no esporte delas. No Rugby em Cadeira de Rodas, quando defendemos, a ideia é travar o atacante e força-lo a dar um passe. Somos todos tetraplégicos, ou seja, nossas mãos não funcionam direito e dar e receber passe é um problema. A questão é que forçamos elas a fazerem o que elas fazem de melhor enquanto que no quesito PASSE a gente simplesmente não presta.

 

 

Bom, tomamos 10 gols e falhamos em nossa missão. O que importa mesmo é que jogamos e nos divertimos, acho que elas se divertiram também, força eu sei que fizeram porque eu nunca tinha visto nosso material quebrar tanto quanto nesse dia. Agradecemos a visita e espero que elas voltem sempre. Aproveito também para lançar o desafio de que no próximo amistoso elas deverão fazer pelo menos esses mesmo 10 gols. Eu sei que já fizeram, mas sou arrogante o suficiente pra dizer que da próxima vez não farão!

Por Marcel Souza

.
EM by Alessandro Travassos | BH Rugby

comentários