BH Rugby perde em casa para os paulistas do Pasteur por 24 a 15

O Belo Horizonte Rugby Clube sofreu um novo tropeço em seu retorno à primeira divisão nacional. Desta vez, foi superado pelo Pasteur Athletique Club, de São Paulo, por 24 a 15, a terceira derrota dos mineiros em três jogos disputados pelo Super 10. A equipe não conseguiu aproveitar o mando de campo e o apoio da torcida, padecendo principalmente pelos próprios erros defensivos, sem desmerecimento da eficiência dos adversários, que souberam se segurar em momentos de iminência de sofrer try.

O resultado deixa os belo-horizontinos em situação complicada na chave Verde, que, além do Pasteur, é composta por Bandeirantes (SP), Desterro (SC) e Unibrasil/Curitiba (PR). Como o confronto de hoje foi, na prática, o único disputado como mandante, a possibilidade de pontuar pela primeira vez no Campeonato Brasileiro era mais concreta, principalmente diante de um adversário de qualidade equivalente. Porém, não foi o que ocorreu, e o BH Rugby segue na última posição de seu grupo.

Se vencesse o PAC, teria mais chance de escapar da vital e preocupante disputa pelo nono lugar com o lanterna da Chave Amarela. Esse jogo está previsto para 24 de setembro. Porém, antes disso, o clube de Minas Gerais – o único no Super 10 – tem o compromisso contra o Bandeirantes, campão brasileiro de 2009, no próximo dia 3, em São Paulo.

No momento, o último colocado no outro grupo é o Farrapos (RS), que também perdeu seus três primeiros jogos. Curiosamente, os gaúchos são a outra equipe que, como o BH, acaba de subir para a primeira divisão. O lanterna do Super 10 ainda jogará contra o primeiro da Copa do Brasil, a divisão de acesso, em uma partida de repescagem, em outubro.

A partida começou às 15h no campo da PUC Minas no Coração Eucarístico. O calor que faz na capital mineira neste fim de semana, na casa dos 30 graus, foi um personagem à parte, e acabou prejudicando o desempenho dos atletas, principalmente na etapa final. Mesmo assim, a torcida não decepcionou e compareceu, apoiando o time da casa.

Jogo

Logo no kick-off da partida o BH Rugby sofreu o primeiro revés por pura desatenção. Após dar a saída, o Pasteur avançou no campo mineiro, abafou um chute de desafogo e recuperou o rebote já no in-goal, anotando o primeiro try da partida com menos de um minuto, anotado pelo segunda-linha Olyntho Júnior.

Passado cochilo inicial, o jogo ganhou em equilíbrio, tônica da maior parte dos 80 minutos. O confronto foi truncado, com a bola sendo mais disputada do que em jogo aberto pelas linhas. Nos primeiros 40 minutos, os belo-horizontinos foram muito eficientes tanto nas disputas em solo quanto nas formações fixas.

Por Mariana Tavares

Estava evidente qual seria a estratégia do time da casa: avançar na força de seus fowards (1 a 8), em jogadas de base, até chegar ao in-goal do PAC. Foi assim que anotou seu único try do primeiro tempo, aos 19 minutos, graças a um jogo de fases bem feito que terminou nas mãos do pilar e treinador, Jorge Imparato, que apoiou a bola ao sair de um ruck.

Mas, antes disso, novamente devido a uma bobeada de seus homens de trás, o BH Rugby tomou outro try. O asa Diego Lopez, jogador da seleção brasileira, assumiu o controle de uma bola “viva” dentro da área de 22 metros dos mineiros e a apoiou.

Os times trocaram de campo com o placar em 12 a 8 para o Pasteur. Na segunda etapa, os paulistas conseguiram ter mais tranqüilidade para resistir às investidas dos fowards adversários, e, por conta do calor, o treinador do PAC realizou algumas substituições já nos começo da segunda etapa. Foi aproveitando novas falhas de domínio de bola dos mineiros que os visitantes marcaram novo try aos 4 minutos, com Gustavo Bandido, e outro aos 20, com o centro Felipe Bezian.  Conseguiram administrar a vantagem com compentência.

Já o BH Rugby, menos intenso na busca por posse de bola do que no primeiro tempo, seguiu com dificuldades para infiltrar no paredão azul e vermelho. A intensidade do jogo foi reduzida com o desgaste das duas equipes. O time da casa da casa ainda aproveitou o fôlego final nos últimos instantes para anotar seu try, o mais belo da partida. A jogada foi em extrema velocidade. O ponta Pedro Olavo avançou com a bola e, antevendo o tackle, passou ao full-back Felipe Damasceno, que correu em diagonal. A bola foi recebida pelo hooker Lucas Israel, que partiu também em velocidade para cair no in-goal paulista.

Felipe Damasceno foi um destaque individual do BHR, especialmente no primeiro tempo, graças a alguns tackles decisivos na defesa e avanços importantes para o ataque. Do PAC, merecem menção o oitavo Júnior Orioli, com bons avanços e chutes quase sempre precisos para o H. Além dele, brilhou Thiago Maihara, que começou como half-scrum e assumiu a ponta no segundo tempo. A velocidade e os dribles do atleta são uma arma poderosa do Pasteur.

Por Mariana Tavares

“No segundo tempo, aproveitamos mais as falhas deles, talvez pelo cansaço, e conseguimos fazer os tries”, comentou Maihara.

“Faltou atenção. Estamos melhorando a cada jogo, aprendendo mais. E vamos continuar trabalhando”, afirmou o treinador do BH Rugby, Jorge Imparato, para quem as chances de permanência na elite do rugby brasileiro são perfeitamente possíveis

EM by Alessandro Travassos | BH Rugby

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