NOSSO ADVERSÁRIO – Paulo Eduardo Kneip

NOSSO ADVERSÁRIO

Por Daniel Alejandro Marolla

Revisão: João Gualberto de Araújo Júnior

Muitos podem questionar: por que uma pessoa que não é do BH Rugby é tão importante para o BH Rugby? E eu compreendo claramente o questionamento, ainda mais se ele partir de alguém que não foi educado na cultura deste esporte. Após apresentar aqueles que – pelo menos na visão deste pseudocronista – foram os “escultores” do clube, que deram forma ao caráter dele, tentei encontrar um nome que represente todos os nossos queridos adversários, aqueles que nos dão a oportunidade de jogar. Para o BH Rugby, o adversário tem um valor incomparável, porque é ele que nos permite fazer o que mais amamos: jogar Rugby e cultivar amigos.

Em Fortaleza, brindando com Igor Konovaloff.

Este artigo, sem nenhuma dúvida, tem que ser dedicado ao homem que mais entrou em campo, e vestindo as mais diferentes camisas, jogando em oposição ao BH Rugby. O nosso irmão e, para mim, sinônimo de Rugby no Brasil. O homem mais conhecido nos gramados do nosso esporte e o mais amado nos 3os tempos. Quase ninguém conhece Paulo Eduardo, mas quem não conhece o Monkey?

“Monkey é quase que meu nome. Não dá pra deixar de fora.”, fala ele próprio, com orgulho.

Com que idade você começou a jogar Rugby?

Comecei aos 15 anos, depois de uma palestra de Rugby na minha escola, o Centro Educacional de Niterói, ministrada pelos – hoje veteranos – jogadores do Niterói Rugby, os senhores Henrique Thoni, Marcelo “Bozó” e Mauro “Buldoguinho” de Souza (in memorian). E nunca mais parei.

Niterói Rugby Football Clube há uns poucos anos.

Em quais clubes de Rugby você já jogou?

Eu??? (risos) Meu time de origem é o Niterói Rugby Football Clube. Me considero um multitime, pois adoro jogar com outras camisas, mesmo contra o meu querido Niterói RFC. De cabo a rabo do Brasil, eu já joguei junto de alguém. Até o Universidade do Amazonas, do meu amigo Marcelo Gordo, já teve que me aturar jogando junto. Meu álbum de figurinha é extenso. Mas, disputar MESMO, só pelo Niterói.

Você se lembra de quantas vezes enfrentou o BH Rugby? E jogando por quais times?

Opa…! Jogos divertidíssimos. Joguei contra pelo Niterói RFC, o RJ Union, o Guanabara RFC, UFF Rugby, talvez pelo Rio Rugby também…

Você já jogou pelo BH Rugby?

Não consigo completar essa página do meu álbum. Ainda não tive o prazer de estar junto do BHR em suas festividades do Power 30, pois sempre acontece alguma ziquizira que me impede de ir. Um dia, eu vou me dar esse luxo, com certeza.

Igor Konovaloff, Monkey e Alfredo Sorrini, num terceiro tempo em Copacabana – RJ.

O que você pode me contar do BH Rugby?

Vi o BHR crescer nesses anos. É um time aguerrido, dentro e fora de campo, que deixa o sangue pela sua camisa com um sorriso no rosto. Uma escola perfeita para estimular o crescimento do Rugby em Minas Gerais e com uma família unida, que se diverte e sofre junta, de uma maneira toda especial.

No meu entender, o Sr. é a pessoa mais conhecida e mais querida do Rugby Brasileiro. Poderia explicar o que significa “Espírito do Rugby” desde seu ponto de vista?

Meu querido amigo, seu comentário muito me lisonjeia… Sou conhecido por todos, pois não faço distinção. Todos os que gostam de Rugby são meus amigos. Acho que isso faz parte do espírito. O Rugby pleno é vivê-lo sem exigir nada em troca. É doar-se sem frescuras. Levantar o mais rápido possível por um amigo ou por um adversário no chão. É estender a mão pisada. É curtir os 80 minutos únicos de uma partida, independentemente do resultado. É gostar de passar os segredos do que se sabe e procurar saber o que se faz de mau. Melhorar. Ser bom, e ser BOM. Passar pelo corredor de cabeça erguida é bom demais. Ver o bom tackle do seu “moleque” também. É ter amigos eternos que conhecemos somente por algumas horas nos terceiros tempos, somente por pensar em uma mesma sintonia, não interessando a distância, credo, língua, cor, nível social… ser jogador de Rugby é muito bom.

Uma mãe, com um filho assim, tem que ser muito feliz.

O que poderia falar dos meninos que fundaram o BH Rugby?

Eu gostaria de dizer que foi a coisa mais maluca e mais acertada que vocês fizeram. Descobrir essas pessoas maravilhosas e juntá-las todas numa só camisa é um feito incrível. Ver a TPM da 19 (Amanda Melo) e não ter medo. Ver a cara de mau do Jorge “Pelado” (Imparato) em campo. Ver o Budha (Yuri Bernard Louzada Menezes) correndo no aquecimento. Bidril, João, Menina (Heloisa) Becker… Os gêmeos (Paulo e Pedro Vilela), os italianos (Facundo, Francesco, Alfio e Alfredo). Minhas queridas amigas Meg (Margareth Travassos) e Nira (Goldstein)… Ter saudade da Conchita (Laura Orosco). Vocês são privilegiados. E fazer isso crescer de maneira a serem os primeiros campeões mineiros, isso é demais! Tenho orgulho de conhecer a todos. Continuem firme. O Rugby só tem a dar mais momentos demasiadamente divertidos a vocês. Parafraseando meu amigo Murilo, “Keep Walking”!!!

Margareth Travassos, Monkey e Nira Goldstein

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Monkey é um sinônimo de Rugby, de amigo, um homem com sentimentos fortes e com um coração que pode nos surpreender a cada instante.

Com esta matéria não queremos homenagear só ele, mas, sim, a todos os nossos adversários, os de ontem, os de hoje e os de amanhã. Saibam que nosso clube estará sempre grato a vocês por nos receber, por nos visitar, por nos respeitar, por compartilhar momentos inesquecíveis, enfim, por nos dar a oportunidade de jogar o esporte que adoramos e que vivemos com paixão.

Monkey e Paulo Vilela.


EM by Alessandro Travassos | BH Rugby

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