Laura Orozco – A MUSA LATINA

A MUSA LATINA

Por Daniel Alejandro Marolla

Revisão: João Gualberto Araújo Júnior

Laura, embora seja estrangeira, começou a jogar Rugby no Brasil, aos 22 anos, no nosso Belo Horizonte Rugby, foi uma das pioneiras do nosso clube, esteve no primeiro treino feminino, e ficou até ir morar em Buenos Aires… Lembro-me muito bem do primeiro treino delas, foi um acontecimento para todos nós. Mulheres jogando Rugby no BHR!

Ensaio Sensual do fotógrafo Marco Maia.

Conchita é o nome da simpatia, da amizade, da confidente… uma verdadeira fera dentro de campo. Muitos homens invejam a coragem dela para jogar este esporte. Laura se tornou nosso xodó, porque sabia alegrar o treino nosso de cada dia. Fez-se querida por todo o Brasil e se tornou a estrangeira mais brasileira deste subcontinente verde-amarelo. Nossa Conchi foi representar o Brasil nos Países Baixos e se tornou a primeira atleta do BH Rugby a vestir a camisa da Seleção Brasileira. Embora não tenha ficado no time de Seven-a-side das guerreiras canarinhas que foi nos representar no Mundial de Dubai, em favor da equipe, tomou uma atitude que não é para qualquer um: para ajudar as garotas, foi uma das que trabalharam em um ensaio sensual que foi notícia em todo país e no exterior, a ponto de levá-las até a subir no palco do Faustão.

Poderíamos ficar horas falando desta “niña”, porque é uma pessoa exemplar… mas deixemos que ela mesma se apresente:

Com Agustín Pichot nos Países Baixos

Com quantos anos começou a praticar o Rugby?

Com 22 anos.

Por que veio para Belo Horizonte?

Porque ganhei uma bolsa de estudos na Universidade Federal de Minas Gerais.

O que motivou você a jogar um esporte que era, até então, exclusivo dos meninos?

Para mim, o esporte era novo, não sabia que era jogado principalmente por homens. O meu caso foi amor à primeira vista. Assisti pela primeira vez a um jogo de rugby (Bruno Agostini me chamou pra ir) e eu quis jogar… meu coração disse que eu DEVIA jogar esse esporte.

O que é o que o Rugby te ensinou?

Ensinou-me principalmente respeito, dedicação e sacrifício. E muito mais do que ensinar, mostrou-me que é um esporte tão aberto que pode ter lugar para todo biotipo, um esporte que desenvolve sua cabeça além das suas habilidades físicas. Para mim, a mistura perfeita entre cabeça e coração.

Uma tarde de Rugby na UNIBH..

Relate uma das lembranças mais marcantes que o BHR deixou no seu coração.

Na verdade, são muitas. Desde o primeiro momento em que conheci o rugby, ele e as pessoas que o praticavam entraram no meu coração. Virou minha família, fiz os melhores amigos que alguma vez já tive. Vi muitos lesionados sendo ajudados por pessoas do time, vi pessoas que, por um acidente, viram frustrados seus sonhos de continuar jogando e vi pessoas se recuperarem mais rápido para voltar a jogar Rugby. Acho que os quatro anos da minha vida dentro do BH Rugby deixaram momentos inesquecíveis no meu coração.

Com Alejandro Ariel Palacios (Foto: Maíra Vieira).

Defina claramente o que é “Espírito do Rugby” no seu conceito?

Para mim, o Espírito do Rugby baseia-se no respeito. Respeito aos jogadores do meu time e aos jogadores do outro time. Respeito ao árbitro que dirige o jogo. Respeito aos treinos (entenda-se esforço máximo dentro do campo, já que um jogador não pode dar seu 50% e outro dar seu 100%). Respeito pelo treinador, que, sem ganhar um tostão, se sacrifica toda terça, quinta e sábado para treinar seus jogadores. Respeito ao meu próprio corpo, pelo que devo me cuidar para não me machucar ou machucar os outros. É entender que o rugby é um jogo que nunca se deixa de aprender, que simples lições podem ser aprendidas de maneiras diferentes, que a humildade de aceitar os erros e aprender com os que sabem mais nos engrandece. Que o rugby é um jogo no qual não pode brilhar só uma estrela, e sim o time inteiro. Que uma vitória sempre é conseguida com a ajuda de TODOS os jogadores do time.

O que te dá saudade do nosso clube?

As pessoas, os amigos e os terceiros tempos.

Nos Países Baixos, foto de grupo da Seleção Brasileira.

Como primeiro atleta do clube a vestir a camisa do Brasil, o que você falaria para os meninos que estão começando agora e sonham em jogar na seleção?

Que, para chegar à seleção, é preciso ter muito esforço e dedicação. Que, se uma pessoa não é tão habilidosa quanto outra, dedicando-se, poderá ser tão boa quanto. Que o rugby exige muitos sacrifícios, mas, se o objetivo for claro, é possível chegar aonde se queira.

Laurita é uma dessas pessoas que, por onde passa, sem perceber, deixa sua marca e muita saudade, porque tem um conceito de amizade integral, um coração gigantesco e irradia uma alegria que contamina até os mais depressivos. Uma batalhadora, que conquistou as pessoas de cada lugar onde morou, uma verdadeira amazona. O BH Rugby será seu lar, seu cantinho e seu refúgio, porque Laura nos deu sua alma e seu coração, e a gente deu uma nova família para ela.


Depoimentos:

A Conchi é uma pessoa muito especial… Desde que eu a entendo por gente, sempre me faz rir… mesmo antes de conhecê-la bem eu podia sentir a “good vibe” dela. Depois, ela vinha com o sotaque esquisito dela me perguntar várias coisas, e eu sempre me divertia trocando ideia com ela. Uma vez, ela veio me falar que queria jogar mais, que era difícil para o BHR viajar sempre e tal, e eu falei para ela sair pelos campeonatos e jogar, simplesmente. Daí, eu comecei a ver mais a Conchi e ter o prazer de jogar ao lado dela em vários momentos: na Seleção Brasileira (e ver os olhos arregalados dela entrando em campo (risos), Niterói, Valentina… fora os mixes BH x Niteroi x Rio Rugby, que a gente fazia as “misturebas”! E, claro, curtindo bons terceiros tempos pela vida.
Na verdade, não falo com ela faz um tempinho. Estou aqui na Austrália meio enrolada com trabalho, estudos e rugby, mas acho que é sempre bom os amigos saberem o quanto eles marcaram a nossa vida e nossa história! E saber que a gente pode contar com eles sempre!

Saudades conchi!!! Logo a gente se comunica! Beijo grande, amigus.

Beatriz “Baby” Futuro

Terceiro Tempo em Belo Horizonte.

Sempre leio em depoimentos pessoas dizerem o quanto é difícil falar sobre pessoas queridas, no meu caso, não é nada difícil falar sobre a Laura, muito pelo contrário.

Nos conhecemos há alguns anos, quando fazíamos um intercâmbio cultural nos Estados Unidos, eu vindo daqui e ela da Costa Rica, país que, até então, não tinha me chamado muita atenção. Nesse intercâmbio, pude conhecê-la de uma maneira um tanto quanto abrupta. Éramos um grupo de umas sete pessoas vindas de locais diferentes do mundo e que passaram a morar juntas e conviver intimamente durante alguns meses numa cultura bem diferente da que estávamos acostumados. Foi assim que nasceram uma amizade e uma admiração enorme pela Laurinha, mulher tão amiga, carinhosa, dedicada e, sobretudo, ALEGRE. Passamos esses meses nos EUA. Ao fim, algumas promessas de visitas, tudo típico de quem passa por essas experiências fora, mas com ela as coisas são um pouquinho diferentes: depois de alguns meses, ela liga e avisa que tinha passagem comprada para Belo Horizonte para passar alguns dias por aqui. Depois dessa visita, Laura começou a se interessar mais pelo nosso país, e, depois de alguns outros meses, veio a notícia de que ela viria estudar na UFMG e que passaria alguns anos conosco. Durante essa época, tive a feliz e inesquecível oportunidade de conhecer a Costa Rica, sua família e sua cultura e passar a admirar cada vez mais a minha amiga. Algumas pessoas podem não saber, mas a Laurinha conheceu e passou a praticar rugby porque eu era jogador do ilustre BH Rugby e, em meio a jogos e terceiros tempos, ela e outras bravas mulheres começaram a treinar rugby e desenvolver o BH Rugby feminino. Mas a vida segue e o destino fez essa grande amiga mudar-se novamente e se distanciar um pouco de nossas vidas… Fica aqui registrado meu carinho e admiração por essa grande pessoa!

Bruno Agostini

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Dedicado ao time feminino do BH Rugby e a todas as meninas do Rugby brasileiro.

* Banner por Kwan 3497-8555

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EM by Alessandro Travassos | BH Rugby

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