El Cabezón e seu amor pelo rugby

EL CABEZÓN E SEU AMOR PELO RUGBY

Por Karlla Davis

Editado por Eiko Suga

Um dia estava eu falando com o Guto Senra, outro viciado em Internet e Rugby, e ele me falou que eu precisava conhecer uma pessoa: O El Cabezón, que faz parte do BH Rugby. Fiquei por algum tempo avaliando, acompanhando suas opiniões pela maior comunidade de Rugby no Brasil (via orkut) e pude perceber que se tratava de uma pessoa notável.

Mas o que eu poderia esperar de uma pessoa que eu não conhecia, sabe-se lá se era arrogante ou machista… enfim.. criei coragem e iniciei um breve diálogo no gtalk sobre um tema em aberto na comunidade. Fiquei surpresa ao ver a atenção que ele se dispôs ao falar comigo e como ele era apaixonado por Rugby. Pude perceber que ele estava ali pra se doar e ensinar o que sabia e assim estabeleci um vínculo de aprendizado que pretendo levar por toda a minha vida.

Hoje, ele me concedeu o privilégio de uma entrevista e que agora compartilharei com vocês, espero que gostem tanto quanto eu deste breve bate papo com o El Cabezón Marolla!

Olá Cabezon, acabei de ler sua entrevista para o Rugby Fun publicada no Rugby Mania* que fala muito sobre a sua história dentro do Rugby, dessa forma não vou repetir tudo o que está lá e vou tentar complementar o que já foi perguntado ano passado.

Em primeiro lugar, gostaria de saber: Por que você joga Rugby e ama tanto este esporte?

Na verdade, meu pai é viciado em esporte que nem eu e é ex-jogador de futebol. Na minha casa se respira esporte o dia todo e com meu pai, praticamente, o tema que mais nos aproxima é F1, Rugby, Futebol, Tennis, etc. O Rugby foi o esporte que mais me encheu o coração, porque resume tudo o que eu adorava de moleque… Amigos, bola, lama e luta. Com o tempo fui aprendendo a filosofia do esporte, que me fez apaixonar. Jogo Rugby porque o faço com amigos, se não fosse assim, acho que não gostaria tanto.

Em algum momento pensou em desistir?

Quando a gente se doa demais sempre fica com essa dúvida e cada vez que alguma coisa dá errado, quer jogar tudo pra lá de Bagdá, mas o Espírito do Rugby é muito forte, e sempre mostra que nunca se pode desistir dos sentimentos. E este esporte é puro sentimento.

Treino BH Rugby no dia 02/10/2010

Como é ter uma vida normal e se dedicar ao Rugby? Há sacrifícios? Sua esposa apóia integralmente ou fica chateada quando você não pode sair aquele dia ou outro por causa das atividades no Clube?

(risa) Geralmente eu fico mais chateado quando não posso ir ao clube por X motivos. Realmente, quando a gente faz o que ama, não se esforça, eu até quando estou lendo um livro, encontro frases que adapto, ou ajusto ao Rugby. Minha esposa tem mais ciúmes do Rugby que de qualquer outra mulher no mundo. O Rugby se constrói com sacrifícios pessoais e coletivos, e acho que é isso o mais apaixonante de tudo.

Um dia você me falou do seu discurso sobre arbitragem para os novatos e realmente o que você me disse foi muito importante para mim, será que poderia dividir isso conosco?

Ixxx!! É comprido… e não é apenas sobre a arbitragem… mais que nada é sobre o RESPEITO…O Rugby nos ensina a respeitar antes que mais nada, e esse respeito têm que começar por nós mesmos, porque se a gente não se auto-respeita, não consegue respeitar, nem árbitro, nem pai, nem mãe, nem amigos, nem Deus, nem nada.

O que você considera fundamental para que um Clube possa desenvolver o Rugby?

Eu…? Às vezes acho que estão deixando ele morrer… mas do fundo de meu coração acho que você pode ser o melhor passador de bola, o melhor chutador, ter uma técnica apuradíssima no scrum, um tackle infernal, mas se não tiver o Espírito do Rugby, você estará jogando um jogo, mas nuca poderá jogar Rugby.

O clube que não ensina esses valores, e não faz respeitar os mesmos, vai crescer sim, mas o dia que tenha um tempo de vacas magras, pode até acabar.

Jogo BH Rugby vc Niterói Rugby em 2006.

Hoje, o Brasil está passando por uma fase de divulgação do Rugby e surgimento de novas equipes, muitas delas sem alguém com experiência adequada para propagar os princípios e valores fundamentais como deve ser. Como você vê este perfil a longo prazo? Como você vê o futuro do Brasil no Rugby nos próximos 5 anos?

Eu acho que o Rugby brasileiro tem um escopo a superar muito problemático que é a federalização do esporte. Eu vejo que os times que melhor jogam, não se importam em jogar com os que estão em desenvolvimento, e isto atrasa este desenvolvimento. Seria bom que a CBRu criasse janelas como o IRB para que os times do Super 10 tenham que jogar amistosos com equipes em desenvolvimento. Tem muitos times que recebem jogos e não devolvem a gentileza. Isso no Rugby que eu aprendi, não existe. O Rugby brasileiro vai crescer e muito, tem um potencial muito grande. O que não podemos deixar é permitir a entrada de vícios de outros esportes no nosso Rugby.

Estive na Argentina, em dezembro de 2006, e os vendedores das lojas riram muito quando eu disse que queria comprar material de Rugby para mim. Como é a realidade do Rugby Feminino na Argentina?

Na Argentina, as mulheres jogam hockey na grama e no mês passado voltaram a se sagrar campeãs do mundo, vai ser meio difícil que o Rugby Feminino tenha um desenvolvimento a curto prazo na Argentina. Existem clubes que se resistem em colocar essa modalidade como atividade, não falo de qualquer clube, falo do SIC, CASI, etc.

O que vale mais na hora do jogo?

A amizade e o respeito… depois podemos falar de inteligência, preparo físico, estratégia, etc. Jogar com teus amigos é a melhor coisa do mundo.

Qual o segredo do sucesso de Los Pumas?

Bom, Los Pumas sempre deram um jeito de se misturar entre os grandes, procurando um jeito de criar um estilo próprio. Primeiro, foi a qualidade na defesa e o pack de forwards, e logo foram aprendendo a superar seus pontos baixos com virtudes. Los Pumas são profissionais jogando de um jeito amador e como já falei, eles jogam com os amigos… independente dos resultados, eles se divertem em campo. Ao menos é o que passam pra mim.

Copa do Brasil em 2006.

Você gostaria de deixar alguma mensagem para aqueles que estão começando agora ou que vem trabalhando há algum tempo no Rugby?

Quem sou eu para deixar mensagens? Só posso dizer que, como falou uma vez Hugo Porta “o jogador de Rugby é apenas 1/15 parte de um todo, e ele tem que dar tudo pelo grupo. O Rugby é um estilo de vida, e se a gente não levar para a vida o que aprende no campo, não tem nenhum sentido jogar. Valorizar as pessoas pelas suas virtudes, e nunca maximizar seu defeitos. O melhor time de Rugby não é aquele que mais ganha (embora ganhar seja bom demais), o melhor time, é aquele no qual, os jogadores se divertem jogando juntos e se ganharem, melhor ainda.”

Gostaria também de agradecer ao meu amigo Guto, um grande homem e um excelente amigo. E assim como ele, a todos que alguma vez me deram a oportunidade de fazer uma das coisas que mais gosto na vida… jogar Rugby.

Agradeço imensamente pela oportunidade em falar sobre o EL Cabezón no Blog Minha Vida e o Rugby.

Fonte: Minha Vida é o Rugby – http://minhavidaeorugby.blogspot.com/2010/10/el-cabezon-e-seu-amor-pelo-rugby.html

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(*) Matéria original, por Mariana Chapotot ( http://www.rugbyfun.com.ar/nota.asp?not_codigo=67434 ).

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EM by Alessandro Travassos | Rugby Brasil

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