O DUENDE DO BH RUGBY


O DUENDE DO BH RUGBY

Por Daniel Alejandro Marolla

El “Índio” nasceu no centro da bela cidade de Rosario, uma das cidades mais importantes da Argentina, situada a 360 km. ao norte da capital, Buenos Aires. Aquele garoto de 15 anos, conheceu o rugby na escola e, aos 15 anos, entrou para o Duendes Rugby Club, uma instituição desportiva criada em 5 de janeiro de 1957 por algumas famílias tradicionais da cidade, amantes do rugby. No bairro “Las Delicias” criaram um lugar perfeito para se divertir e ver seus filhos crescerem em segurança, sendo formados por pessoas que incentivavam o espírito esportivo. Aqueles que foram ingressando ao clube se uniram ao que eles denominam a “Família de Duendes”. A história dessa instituição lembra alguma outra? Na atualidade, o clube continua sendo amador, apesar de contar com mais de 550 associados.

El “Índio” era um garoto sapeca, daqueles cheios de saúde e energia. Aos poucos, foi se transformando num líder, um desses jogadores que todos adoramos ver em campo, por sua coragem, sua vontade, sua dedicação. Um animal em campo, mas um cavalheiro inigualável na vida.

Chegou ao BH Rugby como um milagre e logo fez da galera daqui seu novo time de rugby. Treinador da linha e inspirador número 1 no quesito raça, ele foi modelando os atletas ao ponto de conseguir lapidar um jeito BH Rugby de ser. Hoje, trabalha para o crescimento do clube treinando o infantil, no qual meninos e meninas, juntamente com os filhos Carolina (10 anos) e Liam Jeronimo Carey (7 anos), aprendem os valores do rugby e absorvem a paixão pelo esporte por meio de um referencial incomparável: Juan Jeronimo “El Índio” Carey.

3º tempo em Poço de Caldas - Maio de 2006 - Alfredo Sorrini, Juan Carey e Jorge Imparato

3º tempo em Poço de Caldas – Maio de 2006 (Alfredo Sorrini, Juan Carey e Jorge Imparato)

Com quantos anos começou a jogar nos Duendes?

Aos 15 anos. Na verdade, comecei com meus amigos aos 13 anos na escola, que se chamava La Salle (N/A: Uma das melhores instituições de ensino e desportivas dos anos 70). Lá, conhecemos nossos primeiros treinadores, que após foram para o Duendes, que ia sair em turnê. Na escola, tinha dois meninos fanáticos deste esporte e jogávamos intercolegiais de rugby. Logo fomos para o Duendes.

Como chegou à cidade de Belo Horizonte e por quê?

Por trabalho… Um amigo meu tinha uma empresa aqui e me convidou para vir para Belo Horizonte. E vim e fiquei.

Como conheceu o BH Rugby?

Realmente nem lembro… (riso) Estava procurando um time para jogar. Não lembro se foi por um aviso que vi, comecei a ir ao batalhão (12º Batalhão de Infantaria), e aí começamos… sempre relacionado com o rugby.

Jogando pelos Duendes no campeonato da 1ª divisão da Union de Rugby de Rosario

Jogando pelo Duendes no campeonato da 1ª divisão da Union de Rugby de Rosario

O que significa rugby para você?

Realmente é uma paixão e, para mim, é uma disciplina para a vida, de educação, de como se relacionar com os companheiros, com um possível adversário, e te ensina certos princípios que são muito importantes hoje na vida, através de um jogo.

Quais são as diferenças entre o seu Duendes e o nosso BHR?

O Duendes é um time fundado em 1957 por fanáticos do rugby e que se mantém até hoje entre os melhores clubes da Argentina com um rugby muito disciplinado e com poucas pessoas. Pois, comparado com grandes clubes de Buenos Aires, tem muito poucas pessoas, mas com um nível muito elevado de rugby pela paixão de cada um dos diretores, dos treinadores e dos jogadores. E o BH Rugby, para mim, é uma equipe muito jovem, mas com muito potencial, na medida em que se divulga o rugby para o povo todo, e para as crianças, como se está começando a fazer agora, para podermos continuar. O BH Rugby, para mim, passou de ser um time de amigos para um potencial clube, que hoje tem muitas pessoas e que tem bons resultados para o rugby que existe hoje no Brasil. Para mim, o rugby no Brasil vai crescer demais e vai ser uma potência, na medida em que existem pessoas para treinar.

Abril de 2004, Torneio de Seven em Varginha - Liam Carey e sua mãe

Abril de 2004, Torneio de Seven em Varginha – Liam Carey e sua mãe,

Por que decidiu, em 2010, tomar frente do rugby infantil do BH Rugby?

Porque é a continuidade do rugby. Se não tivermos meninos que aprendam a jogar rugby a partir dos 7 ou 8 anos para que logo decidam se é o esporte que gostam e continuem, a renovação de jogadores termina e, com eles, termina o clube. Então, os infantis junto com a diretoria são os que asseguram a continuidade de um time.

Treinamento infantil em 2 de outubro de 2010.


Qual é a lembrança mais linda que você tem no rugby?

Não, não tenho uma em particular… Realmente, tenho muitas lembranças lindas do que foi minha vida de jogador na argentina e aqui no Brasil também.

Festa de Final de ano - Power 30 x Ninfetos (2005)

Festa de Final de ano – Power 30 x Ninfetos (2005)

Qual é a imagem que você gostaria que os meninos de amanhã lembrassem deste BH Rugby de hoje?

Fundamentalmente, acredito que seja a sensação de estar jogando uma final, como a do sábado 10/07/2010, em que correu tudo certo e ganharam (o 1º campeonato mineiro) e mostraram um bom rugby… Eu valorizo muito a união de um time de rugby em situações adversas. Jogando com o Niterói, por exemplo, que sempre ganhou da gente, mas não quer dizer que não possamos ganhar amanhã. Na medida em que a gente se proponha isso e treinemos para conseguir o objetivo, se pode chegar.

O que acha que proporciona para nossa cidade o fato de termos um clube de rugby?

Pra mim, é muito importante ter um clube de rugby, pois é uma alternativa para outros tipos de esporte. E esse é um esporte muito nobre, se ensinando corretamente. Porque tem algo que é muito importante no meu entendimento que é jogar dando o máximo no campo sem agredir o adversário, mas sim jogando forte, e, no final do jogo, quando termina essa disputa, a gente poder se relacionar com jogadores do país todo.

Duendes 1988 – Primeiro da direita de pé.

Duendes 1988 – Primeiro da direita de pé.

Sabemos do seu amor pelos Duendes. Que lugar ocupa o BH Rugby no seu coração?

Eu estou vivendo aqui faz sete anos, e o rugby é o mais importante que tenho aqui em BH. Para mim, é muito importante. Talvez por motivos profissionais não posso dedicar o tempo que gostaria. Agora, temos que ter paciência para conseguir um campo. Jogadores, já temos, pessoas com a paixão pelo rugby, já temos, que conseguimos durante todos esses anos. Já temos diretoria, a Federação (Mineira de Rugby) foi criada, criou-se um clube… Agora, só falta mais um passo, que é ter um campo para conseguir um lugar físico de treinamento. É o próximo que vem aí. E isso irá se perpetuar junto com as meninas que jogam, com as crianças que chegam agora e com a diretoria que está levando a sério.

Para terminar, poderia explicar com palavras o que é o “Espírito do Rugby”?

O “Espirito do Rugby” é colocar a paixão dentro de campo e, quando termina o jogo, não é meu inimigo quem estava no campo. Aliás, se não estivesse o adversário e o arbitro, não poderíamos jogar. O rugby é um esporte de princípios.

Juan Carey faz parte do BH Rugby desde 2003 (ano da sua fundação), jogou como centro, abertura e terceira linha. Foi treinador da linha do time adulto e é o maior conselheiro do Corpo Técnico do Clube. Um excelente pai e um verdadeiro amigo. É aquela pessoa que, quando pede a palavra, todos se calam para ouvir, seja sobre temas esportivos ou institucionais. É um líder natural, com um discernimento inigualável. Um desses homens que agrega sempre mais e mais. Um jogador diferente e um modelo de homem. Uma pessoa pela qual sempre estaremos gratos… pelo que deu, pelo que dá e pelo que sempre dará pelo nosso clube.

Depoimento:

Falar do “Indio” Carey é falar de uma pessoa que, além de tudo, transgredia as regras com um grande espírito para os desafios. De moleque, já mostrava essas facetas, sempre enfrentando tudo. Jamais amarelou, ainda quando tinha certeza de que ia ser bem difícil e sempre com essa gargalhada característica, aquela que o delatava quando chegava. Barulhento, inquieto, lutador, bom amigo e, além de tudo, extremamente solidário.

No fim dos anos 70, o Negro Araujo, meu irmão, Juan Basilico e eu montamos um grupo de meninos com 15 anos, que, sem saber jogar e começando do zero, perdiam por goleada quase sempre. Mas logo chegamos a ser a melhor equipe da cidade e ganhamos o Campeonato de Rosario de M-18.

Isso aconteceu porque contávamos com meninos como o Indio, que, com chuva, com frio, com calor, sempre estavam tentando aprender e melhorar, com um espírito de humildade incrível.

Naquele grupo, com o tempo, ele se converteu em um dos líderes e uma referência.

Horacio Gattarello

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EM by Alessandro Travassos | BH Rugby

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