O Rugby Rodado – Edição Especial


O RUGBY RODADO, MUITO DIFERENTE,       UMA MESMA PAIXÃO

Por Daniel Alejandro Marolla

Sou suspeito para falar dessa galera. Aprendi mais com eles do que jamais teria imaginado, e, por isso, sempre vou ser grato. São homens que conseguem muito mais do que a gente, porque não têm limites. Cada obstáculo superado é uma vitória, e cada vitória é um sorriso. Colocam tudo e mais um pouco pelo rugby e encontram nele um meio de conseguir superar barreiras de um jeito pouco usual.


Brincadeira de meninos grandes – que contam com mais mobilidade do que muitos de nós, pois se movem com a alma – com atitude de campeões, daqueles que nunca desistem dos objetivos. Esses são os meninos do quadrirugby do BHR, que nos dão um exemplo explícito de que só não pode quem não quer.

O time foi montado em conjunto entre a Associação Belo Horizonte Rugby Clube (ABHRC) e o Programa Superar, a partir do empenho do preparador físico e fisioterapeuta do nosso clube, Humberto Oliveira de Assis (agora também fisioterapeuta da Seleção Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas), junto ao incrível espírito da Diretora do Programa Superar e professora da PUC Minas, Cláudia Barsand, que consegue nos surpreender a cada decisão e cada atitude para conseguir o impossível, em frações de minutos, sendo para todos nós um exemplo de solidariedade e determinação. Essa dupla de ouro junto a alguns voluntários, como Diego Morais, Ilan Ferreira Mares, e outros, construíram esse sonho que chamamos de BH Quad, a primeira equipe oficial de cadeirantes do Brasil associada a um clube de Rugby Union.

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01/05/2010 7:30 hs. – A direita Humberto e Cláudia preparando os últimos detalhes.

O nascimento do time foi ao melhor estilo Cláudia, durante a Clínica de Capacitação para Rugby em Cadeira de Rodas, que procurava mostrar ao público interessado da cidade a beleza desse esporte. Em poucas horas, já tínhamos um time, treinadores e o convite para participarmos do 3º Campeonato Brasileiro em Brasília, realizado entre os dias 18 e 23 de maio de 2010. Em mais alguns minutos já tínhamos o transporte até a capital federal e uma equipe de apoio para cuidar dos atletas. Acreditem, nunca vi um sonho se concretizar tão rápido, mas, não por isso, com pouco trabalho e suor. O trabalho foi árduo, tão veloz e tão grande que surpreendeu a diretoria da ABHRC com tantas novidades durante o feriado do primeiro de maio de 2010.

O BH Rugby contava em questões de horas com uma nova modalidade e com um grupo de pessoas maravilhosas, trabalhando como tantas outras para que o esporte seja um caminho para educar e formar pessoas de bem.

Brasileiro de Rúgbi em Cadeiras de Roda, entre os dias 18 e 23 de maio de 2010.

A tetraparesia é a condição para poder competir neste esporte maravilhoso! Geralmente esta limitação é adquirida por trauma cervical e o individuo apresenta limitação nas funções motoras dos membros inferiores, superiores e no tronco. Por ser uma lesão inicialmente muito limitante, há um grande impacto psicossocial na vida daqueles que sofreram com este trauma. As adaptações físicas e emocionais na vida dos lesionados não são nada fáceis. Mas nem tudo está perdido quando se tem espírito de rugbier, pois sempre existe um jeito de continuar. E estes meninos são bem rodados (literalmente) na arte da superação.

Cabe esclarecer que essa modalidade esportiva não divide homens de mulheres, e todos formam um mesmo time, com suas variantes conforme regulamento (Capítulo 5. Equipes – Artigo 35. Classificação).

Para dar prosseguimento a esse sonho, que já se tornou combustível para a vida de muitos mineiros, o BH Quad está de portas abertas para receber novos atletas. Caro leitor, se você conhece algum menino ou menina, homem ou mulher que tem comprometida a mobilidade de pelo menos três dos quatro membros, ou se você se encontra nessa situação e está recluso em casa porque acredita que a vida não tem mais sentido, por favor, atreva-se a conhecer a família do BH Rugby e verá como se pode ser feliz jogando rugby e sendo amigos desses guerreiros. Não permita que nenhum “tetra” (como os denominamos carinhosamente) se deixe vencer pela solidão e pela depressão, porque o Superar e o BHR têm a solução para quem acha que nada mais vale a pena.

A ABHRC tem o orgulho de mostrar a cada dia o crescimento da nossa família. Obrigado a todos os envolvidos nesse projeto, especialmente aos atletas.

Diego, Ilan e os meninos. É por eles que a gente faz.

“Eu já tinha assistido ao filme Murderball, mas foi aqui, no Superar, na clínica que teve no dia 1º de maio (…) nem estava querendo sentar na cadeira, mas depois que tentei, ai já era. Depois do rugby, melhorei demais. Antes de começar a jogar, empurrar a cadeira era só do quarto para sala dentro de casa. Na rua, nem pensar. Agora, estou melhorando o condicionamento, melhorando em geral. E, em casa, comecei a fazer mais o meu cateterismo, todo o corpo funciona melhor. Está melhorando! Com certeza, todo esse progresso foi graças ao rugby.No ano que vem, tem o Campeonato Brasileiro, e é nóis!”

Everton Miranda de Castro – atleta


Diego Morais preparando a Everton Miranda para jogar seu primeiro Brasileiro.

“Conheci o rugby em cadeiras de rodas, primeiramente, no Sarah (Hospital Sarah Kubitschek) jogando basquete. O professor passou o filme Murderball pra gente e fiquei sabendo que no Rio tinha, mas aqui em Minas ainda não, portanto, não tinha nem como jogar nem treinar. Fiz contanto com o Rio, mas me falaram que não tinha como ir treinar com eles. Então, continuei a treinar basquete mesmo, principalmente no Sarah, e, por eles, fiquei sabendo que teria uma clínica aqui no Superar. Mandei um e-mail e me aceitaram. Deu para conhecer mais a fundo o jogo. Começamos a treinar, e logo disputamos o primeiro Campeonato Brasileiro. O rugby em cadeira de rodas é bacana demais. Eu ganhei condicionamento físico, conheci pessoas, fiz amigos e poderia agregar muito mais coisas. Fui convocado para a seleção, mas não deu para ir dessa vez, mas tudo tem seu tempo e sua hora. Não estava preparado, quiçá, não era minha hora ainda’.

Andre Vasconcelos da Costa Leal –  capitão do BHR/Superar

04/09/2010 – Treinamento com Humberto no Superar.

Os treinos do BH Quad são realizados às terças e quintas a partir das 17h e, às sextas e sábados, a partir das 8h na sede do Programa Superar. O endereço é Avenida Nossa Senhora de Fátima, 2283, bairro Carlos Prates. O telefone de contato é (31) 3277-4546.

Atletas:

  • André Vasconcelos da Costa Leal
  • Carlos Eduardo Moreira de Assis
  • Charles Kennedy Souares Siqueira
  • Everton Miranda de Castro
  • Julierme Augusto de Souza
  • Leonardo Pezzi
  • Marcel Cardoso Ferreira de Souza
  • Marcos Paulo Caria
  • José Roberto Gomes
  • Thiago Helton Miranda Ribeiro

Treinadores:

  • Humberto Oliveira de Assis
  • Diego Morais

Colaboradores:

  • Ilan Ferreira Mares
  • Fabrício Gomes de Souza (paraplégico – inelegível).

“A maior deficiência não está em quem porta uma necessidade, mas no sistema que é o maior dos deficientes”

Resumo das regras de Rugby em Cadeira de Rodas.

  • - Dedicado a todos os envolvidos!!!

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EM by Alessandro Travassos | BH Rugby

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