MOLOTOV COM MARACUJÁ

“El loco” Francismar, é um francês lindo, daqueles que não se pode odiar… Chegou no BH Rugby para mostrar o significado de coragem e por sua atitude de guerreiro, foi eleito o primeiro capitão da história do nosso clube. Um capitão implacável e um amigo exemplar.

Por: Daniel Alejandro Marolla
Edição: Luiz Fernando Moura e Castro

“El loco” Francismar, é um francês lindo, daqueles que não se pode odiar… Chegou no BH Rugby para mostrar o significado de coragem e por sua atitude de guerreiro, foi eleito o primeiro capitão da história do nosso clube. Um capitão implacável e um amigo exemplar.

Algum 3º tempo após um treino em 2005

François, o número 8, foi crescendo como líder do time, mostrando em campo o caminho a seguir e como se joga este esporte. Apesar das suas diferenças culturais ele sempre respeitou nossas brincadeiras e, pouco a pouco, aprendeu a ser quase brasileiro.

Todo jogador de Rugby é um pouco masoquista, nos ensinava, e ele mesmo não parecia ter noção da dor. Um exemplo de homem, de pai e de jogador. Um amigo ao qual sempre estaremos gratos de nos capitanear. Sempre é uma honra ser capitão de um time montado, mas montar um time sendo capitão demanda muito mais que o coração de uma pessoa.

Primeiro treino do BH Rugby 2003

Francismar, o batizaram os meninos da favela, Francismar o adotaram seus amigos, e Eloco nos levou sempre por bons caminhos. Com seu humor tímido, com suas loucuras lindas e com seu Rugby das Cruzadas, de cavalheiro medieval… sempre será nosso Capitão.

Com quantos anos começou a praticar o Rugby?

Com 11 anos, na escola.

Por que veio para Belo Horizonte?

Para fazer pesquisas na Fundação Oswaldo Cruz.

Como chegou ao BH Rugby?

Ligando para o Igor em 2003. Ele tinha deixado o telefone dele na Associação Brasileira de Rugby (hoje CBRu). A gente começou a treinar juntos com os dois Tico Teco (Paulo e Pedro Vilela), o Helinho (Hélio Teixeira de Carvalho Neto), o Raphael (Raphael Valentini) e o Cezão (Cezar Barbosa). O BH Rugby não existia ainda.

Qual é aquela lembrança do BHR que guarda com mais carinho?

Os melhores amigos que tenho, e uma viagem para Campo Grande que foi uma coisa… uma coisa… inacreditável!!!

O que é Rugby?

Alem do melhor esporte jamais inventado pelo ser humano? “O jogo”, a inteligência, estratégica e tática, uma das poucas portas para se superar, um pretexto para a amizade e para compartilhar valores da vida que para mim importam muito. O respeito a si mesmo e aos outros, o reconhecimento das diferenças, pequenos; gordos; cretinos; expertos; grandes; “argentinos” (risos); rápidos; lentos; todos tem um lugar no Rugby, sempre que a pessoa não roube de si mesmo e não seja covarde. E o mais importante, onde encontrei o amor da minha vida. (Se referindo a nossa ex-atleta Meg, Margareth Travassos).

Com seu filho Pierre em Paris

Defina com suas palavras “Espírito do Rugby”?

A paixão, a lealdade, a doação de si mesmo para o resultado do coletivo, a complementaridade, um ajudando a deficiência do outro e recebendo dele, a ajuda naquilo que lhe falta.

Como primeiro e eterno capitão do BH Rugby, que pode recomendar para os meninos que jogam hoje?

Primeiro, o meu eterno reconhecimento a quem me elegeu para esse titulo que será sempre o meu maior orgulho. Mesmo não estando na idade da razão, e sem vaidade: “Meninos… no rugby, se entrega o melhor do coração mantendo-se a cabeça fria”.


Simples e preciso, falando muito com poucas palavras… Um homem que compreende o Rugby como nenhum outro, pois vive ele como um estilo de vida. Um herói nos gramados e um exemplo vivo do amor ao esporte. Ele nos levou ao campo com o manto sagrado, nome que damos a camisa do nosso clube, e nos fez crescer com sua conduta, sua disciplina, sua dedicação e também com suas loucuras. Como não adorar o Francismar?! Como não querer um homem que representa a todos os capitães que o sucederam e o sucederão? Se o Deus do Rugby e da Amizade quiser, por anos e anos.

Primeiro jogo de XV do BH Rugby com o Minas Rugby em 2004.

Este foi o primeiro de muitos capitães do BH Rugby mas, esse ai será incomparável. Longa vida ao nosso rei François!

Depoimentos:

Primeiro vou contar como conheci esta figura. Como já contei antes, o Batatinha havia mandado os e-mails de pessoas em BH que se interessavam pelo rugby. Um deles era o do “El loco”. Liguei pro cara e ele não falava uma palavra em português. Eu tentando conversar com ele e não conseguíamos nos entender. De repente ouço as palavras: – “…falar com mulher”. De repente a esposa dele pega o telefone e finalmente eu consigo marcar um local para podermos ir treinar. Ficou acertado que ele me encontraria no Tribunal de Justiça (onde eu trabalhava). Era sábado e de repente meu telefone toca e lá tava aquele francês maluco, falando palavras metade em francês e metade em português como um louco. Fui até a rua e lá estava o louco Artuiguenave, no meio da rua com aquela cara de gringo no centro da cidade pronto pra ser assaltado. –“Você é Igôrrr?” Este foi o primeiro contato com François. Dali fomos treinar. Neste primeiro treino François pega um bola, toma um tackle e cai com a cara no chão abraçado com a bola. Todo mundo corre pra ver se o Francês tinha machucado, ele levanta com a cara toda esfolada resmungando – “não poder perder a bola”. (risos)
Você o conhece, não preciso falar das credenciais do “El loco”. Ele foi o primeiro capitão do BH por tudo que representava pra gente. O cara inspirava a gente a jogar, era sereno, mas quando precisava era louco. Acima de tudo amava o BH Rugby. Participou de todas as viagens malucas que fizemos pra jogar, em Varginha, quando não tínhamos nem um time completo ainda, em Campo Grande, 24 horas dentro de um micro ônibus. É um grande amigo.

Igor Konovaloff

Pendurando as chuteiras em 11/07/2009.

Quando o Daniel Alejandro me pediu um pequeno texto sobre o François, achei que seria uma tarefa super fácil. Grande engano!

Por mais que eu saiba que ele é a pessoa mais amável e carinhosa que eu conheço, eu não encontro as palavras certas para descrevê-lo.

Por mais que eu saiba que ele é a pessoa mais leal e sincera que eu conheço, eu não encontro a medida certa para retratá-lo.

Por mais que eu saiba que ele é o melhor amigo que se pode ter eu não encontro a maneira mais apropriada para dizê-lo.

Por mais que eu saiba que ele é inteligente, competente e dedicado eu não encontro a forma exata de apresentá-lo.

A única saída que encontrei foi confessar: François é o homem que eu amo.

Margareth “Meg” Travassos

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EM by Alessandro Travassos | BH Rugby

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